Aprovação de Jerônimo fica 13 pontos abaixo de Rui em 2022 e acende alerta na disputa pelo Governo da Bahia

Aprovação de Jerônimo fica 13 pontos abaixo de Rui em 2022 e acende alerta na disputa pelo Governo da Bahia

A nova rodada da pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (3), acrescentou um dado de peso ao cenário eleitoral da Bahia. Além de mostrar uma disputa acirrada pelo Governo do Estado, o levantamento revela que a aprovação do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, está 13 pontos percentuais abaixo daquela registrada por Rui Costa (PT) em período semelhante da campanha de 2022.

Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados aprovam o desempenho de Jerônimo, enquanto 46% desaprovam. Outros 6% não souberam responder. A diferença entre aprovação e desaprovação, portanto, é de apenas dois pontos percentuais.

O contraste com 2022 chama atenção. Em agosto daquele ano, Rui Costa registrava 61% de aprovação, índice 13 pontos superior ao alcançado atualmente por Jerônimo. À época, Rui caminhava para encerrar oito anos à frente do Governo da Bahia e sua popularidade tornou-se um dos principais ativos políticos da campanha daquele que seria seu sucessor.

A comparação ganha relevância porque retrata dois momentos eleitorais distintos do mesmo grupo político. Em 2022, Rui não disputava a reeleição e utilizava seu capital político para impulsionar Jerônimo, então candidato ao governo pela primeira vez. Agora, quatro anos depois, é o próprio Jerônimo quem precisa transformar a avaliação de sua administração em votos para conquistar um segundo mandato.

Avaliação negativa avança

Outro recorte do levantamento reforça o sinal de atenção para o Palácio de Ondina. Quando os entrevistados avaliam especificamente a administração estadual, 44% classificam o governo Jerônimo como ótimo ou bom, 42% como ruim ou péssimo e 14% como regular.

A comparação com 2022 revela uma mudança importante no perfil da avaliação. Naquele momento, 43% consideravam a gestão Rui Costa ótima ou boa, 27,9% regular e 22,6% ruim ou péssima.

Ou seja, enquanto a parcela que considera a administração ótima ou boa permaneceu praticamente estável, houve uma forte redução do grupo que avaliava o governo como regular e um avanço expressivo da avaliação negativa.

O percentual de ruim ou péssimo saltou de 22,6% para 42%, diferença de 19,4 pontos percentuais. A fotografia indica um eleitorado mais dividido e polarizado em relação ao governo justamente quando a campanha entra em uma etapa decisiva.

Gestão ganha peso em eleição voto a voto

Os indicadores administrativos tornam-se ainda mais relevantes quando confrontados com as intenções de voto.

Na mesma pesquisa AtlasIntel, ACM Neto (União Brasil) aparece numericamente à frente, com 48,8%, contra 47,5% de Jerônimo Rodrigues. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

Em uma eventual disputa de segundo turno, o equilíbrio permanece: ACM Neto registra 49,2% e Jerônimo, 48,6%. Considerados apenas os votos válidos, são 50,3% para Neto e 49,7% para o atual governador.

O cenário reforça a possibilidade de uma das eleições mais disputadas da história recente da Bahia e transforma a avaliação da administração estadual em uma variável importante da campanha.

Jerônimo, por outro lado, mantém um ativo político relevante: a força eleitoral do presidente Lula na Bahia. Em 2022, a associação entre Lula, a elevada aprovação de Rui Costa e a mobilização da estrutura política governista foi determinante para o crescimento do então candidato petista ao longo da campanha.

Quatro anos depois, uma dessas variáveis apresenta cenário diferente.

Jerônimo continua contando com Lula como importante referência eleitoral, mas chega à disputa pela reeleição sem a mesma margem de aprovação administrativa que Rui apresentava quando trabalhou para elegê-lo governador.

Disputa pela percepção do eleitor

Com números tão próximos nas pesquisas de intenção de voto, governo e oposição deverão intensificar a disputa pela percepção do eleitor sobre os rumos da Bahia.

Para Jerônimo, o desafio passa por ampliar a aprovação de sua gestão, recuperar eleitores insatisfeitos e transformar as entregas do governo em capital eleitoral.

Para ACM Neto, a tendência é explorar justamente a avaliação negativa da administração estadual e apresentar sua candidatura como alternativa de mudança após um longo ciclo de governos petistas no estado.

A AtlasIntel ouviu 1.804 eleitores entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA-08891/2026.

A pesquisa não determina o resultado das urnas, mas deixa um sinal importante para a campanha governista: Jerônimo entra na fase decisiva da eleição enfrentando um ambiente de avaliação muito mais dividido do que aquele encontrado por Rui Costa em 2022.

Em uma disputa praticamente voto a voto contra ACM Neto, diminuir a rejeição à administração e ampliar a aprovação pode deixar de ser apenas um desafio de governo para se tornar uma das peças decisivas na tentativa de permanência do PT no Palácio de Ondina.

Redação Aconteceu Bahia

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